TIR vs Cotização

TIR vs Cotização

A cotização é um método de cálculo que permite medir o retorno de uma carteira de investimentos entre duas datas quaisquer e é o principal método usado para medir retorno de fundos de investimentos e de carteiras administradas.

Toda vez que você ouvir que o fundo tal rendeu x% entre duas datas o método usado foi o de cotização, porém, o método de cotização possui algumas falhas. 

Vejam o seguinte exemplo: 

a) Em D0 a cota do fundo é R$ 1,00 e você aplica R$ 1.000
b) Em D30 a cota do fundo é R$ 2,00.

  • Logo, ganhou 100% entre D0 e D30.
  • Ainda em D30, animado com os 100% de ganho, você aplica R$ 1 bilhão.

c) Em D60 a cota do fundo é R$ 2,00.

Vejamos:

  • A cotização dirá que você ganhou 100% desde o início,  ou seja, de D0 a D60
  • A cotização não foi capaz de enxergar que você ganhou 100% em cima de R$ 1.000 e zero em cima do R$ 1 bilhão
  • A TIR dirá que seu ganho em 60 dias foi de aproximadamente 0%, que é o correto
  • A TIR detectou que você ganhou muito em termos percentuais quando tinha pouco dinheiro e ganhou nada quando tinha R$ 1 bilhão aplicado

Por que este tema é atual? 

Fundos mostram seus retornos em cotização. 

Isso pode escamotear o fato dele ter auferido ganhos em percentuais quando o patrimônio era menor e ganhos modestos (ou perdas) quando o patrimônio era muito maior.

Vejam este exemplo real com um Fundo de Ações:

TIR vs Cotização

Analisemos os dados:

  • Entre 19/03/2018 e 16/03/2020 o fundo rendeu 19.58%
  • Se anualizarmos, o retorno será de 9,41%
  • Ocorre que se calcularmos a TIR levando em consideração as captações e resgates do fundo no período, a TIR obtida é de -38,39% ao ano

Isto ilustra um fundo que foi muito bem quando o seu PL era menor. À medida que vai captando mais recursos, seu patrimônio aumenta e fica mais difícil para o gestor implementar estratégias de sucesso.

Resultado: seu desempenho piora. Contudo, o método de cotização não foi capaz de indicar este fato.

Da mesma forma, pode ocorrer o contrário. O fundo ter ido mal quando o patrimônio era pequeno e ter ido muito bem quando o patrimônio se tornou maior. Neste caso, a TIR será maior que o retorno via cotização. 

Por último, e não menos importante, o que você acharia dos seguintes dados?

  • Patrimônio inicial do fundo: R$ 0,180 bi Cota Inicial: R$ 8,45
  • Patrimônio final do fundo:  R$ 1,166 bi Cota Final: R$ 10,10

Ora, cota contra cota, o fundo rendeu 19,5%.

Ótimo, não é mesmo?

O fato é que no período analisado o fundo captou, em termos líquidos, o equivalente a R$ 1,26 bi. Porém, ao invés de apresentar um patrimônio líquido de no mínimo R$ 1,44 bi, o que teria acontecido caso o gestor simplesmente deixasse os recursos em caixa, o fundo apresentou um patrimônio final de R$ 1,166 bi, perfazendo uma perda nominal de R$ 0,274 bi.

Moral da história:

  • A cotização não mostra isso
  • A TIR escancara esta situação

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