Estratégia quantitativa: A tecnologia aliada aos fundos de investimentos

Estratégia quantitativa: A tecnologia aliada aos fundos de investimentos

É sabido que a tecnologia tornou-se uma grande companheira dos investidores em várias frentes: plataformas de análise e consolidação de ativos (como é o caso do Comdinheiro), criptoativos, home brokers, fintechs, etc. Contudo, a tecnologia também ganhou espaço na análise de investimentos realizada pelas gestoras e está diretamente relacionada com o seu ganho em alguns fundos de investimento. Sim, caro investidor, estamos falando dos chamados fundos quantitativos!

O que são fundos quantitativos?

Diferentemente do que alguns pensam, os fundos quantitativos não são exatamente fundos geridos por robôs, e eles nem sequer tem uma classe própria. Trata-se, portanto, de uma estratégia em que a tecnologia é empregada em prol de parametrizar, via algoritmos, um modelo de gestão de ativos. Em outras palavras, os “quant” aproveitam-se de distorções do mercado para tomada rápida de decisão. Pense comigo, em um cenário de queda, quem sairá na frente na hora de alocar recursos? Indiscutivelmente o computador.

Em evento recente, Leda Braga, CEO da Systematica Investments, comentou que:

approach quant tende a ter mais posições na carteira e tende a operar com menos convicção […] em outras palavras, estamos mais preparados pelo efeito da média no portfólio.”

Apesar de geralmente estarem na classe de fundos multimercado, os quantitativos possuem baixa correlação com os multimercados tradicionais, logo, são uma opção para diversificação da carteira. No gráfico abaixo você consegue comparar o retorno de alguns fundos que utilizam a estratégia quantitativa versus CDI:

O processo 

Por trás de todo fundo de investimento existe uma equipe, e não é diferente com os fundos “quant”. Por trás das estratégias sistemáticas de alocação, existem pessoas que criam e acompanham o processo.

E como funciona esse processo? Basicamente podemos resumir em algumas macro etapas: 

  1. O gestor tem uma ideia baseada em um padrão de comportamento de determinados ativos;
  2. Outros gestores vão validar essa ideia;
  3. A hipótese entra em etapa de testes;
  4. Se aprovado, o algoritmo é criado;
  5. O processo é automatizado;
  6. Gestores revisitam a estratégia e a atualizam quando necessário;

Desta forma, une-se a teoria econômica com a programação e estão criadas as teses de investimento “quant”.

Brasil

Embora seja amplamente usado pelas gestoras de diversos países, os fundos quantitativos no Brasil ainda ocupam pouco espaço nas assets. Isso pode ser explicado parcialmente pelo fato do mercado brasileiro ainda ser muito menos maduro que o norte americano, por exemplo.

Entretanto, a competição de estratégias de investimento que conquistem a atenção e bolso dos investidores está fazendo com que esse tipo de fundo seja cada vez mais visitado pelos investidores locais, que procuram entender o impacto da tecnologia no que realmente importa no final do dia, a rentabilidade da sua carteira.

Abaixo a evolução dos últimos 24 meses do patrimônio e do número de cotistas de dois fundos quant ilustram isso:

Fonte: Comdinheiro

Vantagens e desvantagens

Agora que você já sabe o que é uma estratégia quantitativa de investimento e como ela funciona, vamos entender algumas de suas vantagens e desvantagens.

Como ponto positivo principal podemos ressaltar a eficiência que o computador gera: processa um volume alto de dados, de forma rápida, sem viés emocional e diferentemente de nós, pobres mortais, ele nunca para de trabalhar.

Em live com a Comdinheiro, Pedro Simonetti, da Giant Steps, comentou um outro ponto de vista relacionada ao tema:

“a ideia é que o gestor não ache nada, quando o gestor tem uma ideia, ele deve vir com provas de que aquilo funciona […] só vai ser implementado se funciona de verdade, é um processo científico”

Dito isto, podemos concluir que a transparência no processo de alocação é uma outra vantagem dos quant, uma vez que tudo deve ser testado e provado.

Como tudo na vida, os quant também possuem suas desvantagens. Pontuo a principal delas: a programação com viés único. Isso faz com que o algoritmo ganhe em determinada ineficiência do mercado, mas não em todas, uma vez que ele não possui uma visão abrangente das variáveis do mercado, o que pode gerar perdas (entretanto, isso faz com que seja um bom ativo de proteção de carteira, então é uma desvantagem relativa). 

Dito tudo isso, é cabível dizer que você deve investir em um fundo quant? Depende. Depende do seu nível de aceitação de volatilidade e do seu objetivo como investidor, mas a questão é: não tenha medo da tecnologia e do que ela pode fazer pelo seu dinheiro!


Analise, compare e invista

A Comdinheiro oferece Soluções completas para uma análise confiável do mercado de ações, fundos, renda fixa e consolidação de ativos.