A evolução da indústria de fundos de investimentos no Brasil

A evolução da indústria de fundos de investimentos no Brasil

Ao longo das últimas décadas, a indústria brasileira de fundos de investimento cresceu e amadureceu em diversos aspectos.

O advento das plataformas digitais e o uso da tecnologia como instrumento de capilaridade fez com que produtos antes inimagináveis, fossem de fácil acesso ao pequeno e médio investidor. Este, por sua vez, obteve cada vez maior alcance à informação para estudar, criticar e escolher seus investimentos, colocando-os ao centro da mesa de discussões de gestoras – especialmente daquelas que já se construíram com olhar a esse novo universo. 

Acesso e demanda por informação de qualidade não foi, contudo, uma novidade restrita aos investidores individuais. A redução histórica das taxas de juros locais fez com que as metas fossem cada vez mais difíceis de serem alcançadas e grandes investidores institucionais foram ao mercado em busca de um novo jeito de fazer a gestão de seus ativos.

Fundos de Pensão, RPPS’s, Wealth’s, entre outros grandes compradores da indústria de fundos demandaram mais risco e, consequentemente foram demandados em mais análises, estudos e, especialmente, dados.

A proposta deste estudo não é ser um guia definitivo sobre a indústria – o que seria uma tarefa impossível, dado que se trata de um mercado pujante e em constante transformação – , mas propor um momento de reflexão sobre a estrada já cumprida pelo setor e, quem sabe, auxiliar o leitor em boas ideias sobre os capítulos que estão por vir.

Dos bilhões aos trilhões

Entre outubro de 2005 e outubro de 2020, a soma dos valores alocados pela indústria de fundos de investimento cresceu 721%, partindo de R$ 640 bilhões para alcançar o patamar de R$ 5.3 trilhões.

Novos Investidores, novos canais

A soma no número de cotistas subiu de 10,5 milhões em 2016 para mais de 20,5 milhões em 2020 – crescimento superior a 95%. O crescimento no número de investidores via conta e ordem é ainda mais surpreendente. Saiu de pouco mais de 200 mil para aproximadamente 4 milhões de investidores um crescimento de aproximadamente 1880% saindo de uma participação no número total próximo a 2% para cerca de 20% em 2020. 

Aumento das alternativas

Igualmente surpreendente é o crescimento no número de fundos ativos no período. Em 2005, eram pouco mais de 3,6 mil fundos na indústria, atualmente o número supera a marca dos 18 mil CNPJs.

Esse movimento se faz necessário para atender a atual dinâmica do mercado com buscas cada vez mais sofisticadas e maior diversidade do perfil de investidores, o que demanda aos gestores construir veículos adequados ao perfil de risco e liquidez de cada segmento atendido.

Novos players no mercado

O número de gestores de fundos mais que dobrou ao longo dos últimos anos, o crescimento do mercado e a facilidade do acesso aos varejo com as plataformas digitais permitiu a abertura de mercado para centenas de novos gestores independentes, que hoje se mostram fatia relevante da indústria.

Abertura Internacional

O investimento dos fundos em ativos no exterior era extremamente incipiente nos primeiros anos da década passada. Em 2020, no entanto, o cenário passa a ser bastante diferente com as posições dos fundos em ativos estrangeiros se aproximando dos R$ 350 bilhões – mais de duas vezes o número de 2019. 

Ida ao Risco

Mesmo com a queda expressiva no valor de mercado das empresas no ano de 2020, o que poderia gerar uma readequação passiva do portfólio, a proporção de investimento dos fundos em ações cresceu no período com o montante nominal avançando 843%.

Queda e Reversão da Taxa de Administração

A taxa de administração média entre fundos com mais de 1.000 cotistas que vinha em forte queda até o começo da década, começou a inverter a tendência possivelmente com o acesso massificado a fundos com maior complexidade.

A trajetória percorrida pelos fundos de investimentos deixa claro o efeito da evolução na acessibilidade das informações da indústria. Houve um aumento nos indicadores de alocações, investidores mais arrojados, quantidade de fundos, número de gestores, entre outros.

Tais números indicam o grau de relevância que os fundos de investimentos ganharam no portfólio dos investidores individuais e institucionais, mas também alertam para a necessidade cada vez maior de analisar o fundo antes de investir: seu histórico, gestor, liquidez, objetivo, risco etc. 


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