BDRs: uma alternativa de investimento no exterior

BDRs: uma alternativa de investimento no exterior

Muito é falado acerca de diversificação de carteira de investimentos e necessidade de ter uma porcentagem alocada no exterior. Contudo, muitos investidores ainda enxergam como algo distante e difícil, o que não é necessariamente verdade. Atualmente, existem formas simplificadas de aplicar em ativos estrangeiros. Um deles são os chamados BDRs.

No dia 22 de outubro de 2020, os BDRs foram liberados para o pequeno investidor. Antes disso, apenas investidores qualificados podiam ter acesso a esses ativos que introduzem o brasileiro à empresas listadas em bolsas internacionais. Confira abaixo mais informações sobre esses títulos que estão em voga no mercado.

O que é

Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são títulos negociados na bolsa que representam ações de empresas estrangeiras. É válido mencionar que ao investir em uma BDR, você não está comprando, por exemplo, a ação da empresa em si, mas está assumindo uma posição similar aos ativos que a BDR representa.

Hoje, mais de 600 BDRs estão em negociação na bolsa, veja abaixo alguns deles:

Fonte: Comdinheiro

Tipos de BDRs

Existem dois tipos de BDRs: patrocinados ou não patrocinados. A diferenciação entre ambos é a origem:

Patrocinados: a empresa emissora das ações tem interesse em captar investidores no país e atua ativamente para tal. Esse tipo é subdividido em três níveis:

  • Nível I: não precisa de registro na CVM, os certificados devem ser negociados em um balcão específico, as informações disponibilizadas aos investidores e as exigências regulatórias são menores.
  • Nível II e III: necessitam de registro na CVM e devem seguir as mesmas regulações exigidas no país, o que permite a negociação diretamente no pregão da bolsa. Esses tipos de BDR só podem ser distribuídos por ofertas públicas se for com esforços restritos. No nível III, as ofertas podem ser restritas ou amplas.

Não patrocinados: a iniciativa de emitir os papéis parte da instituição depositária. No Brasil, os BDRs são, predominantemente desse tipo.

Os recibos de ações possuem tickers com 4 letras (que indicam a companhia) e 2 números finais, que indicam se o BDR é patrocinado ou não, são eles:

  • BDR Nível I: não possui um padrão de números finais
  • BDR Nível II: 32
  • BDR Nível III: 33
  • BDR não patrocinados: 34 ou 35

O índice que mostra um desempenho médio das cotações dos recibos não patrocinados é o BDRX, veja abaixo alguns dos ativos que compõem a carteira do índice: 

Fonte: Comdinheiro

Como funcionam

Os BDRs são negociados na B3 e é necessário a intermediação de duas principais instituições para e emissão dos papéis, são elas:

  • Custodiante: faz a compra e bloqueio das ações da empresa estrangeira.
  • Depositária: faz a emissão do papel no Brasil junto à B3. É o agente responsável pelo repasse aos investidores dos dividendos e bonificações das empresas.

É válido mencionar que uma outra forma de alocar em BDRs é através dos fundos de investimento, que se mostram uma boa alternativa nos casos em que o investidor não queira investir diretamente no produto. Na tabela abaixo estão alguns fundos que possuem pelo menos um BDR na carteira:

Fonte: Comdinheiro

Custos

As taxas envolvidas nas transações de BDRs são similares ao que ocorre nos ativos domésticos. Desta forma, há a taxa de custódia, emolumentos e taxa de corretagem (valor depende da corretora).

A tributação no Imposto de Renda é de 15% sobre os ganhos. Os proventos, quando ocorrem, são repassados conforme as regras do país sede da companhia.

Vantagens e riscos

A primeira vantagem é que essa modalidade facilita o investidor a se expor em bolsas de economias mais fortes e possibilita a elaboração de estratégias com ativos locais e estrangeiros. Outra vantagem está relacionada à eliminação de burocracias (e consequente custos de remessa de recursos) que normalmente estão envolvidas em alocações no exterior.

No que tange aos riscos envolvidos, é indispensável a ciência que os BDRs tem risco similar ao da renda variável. Os certificados estão sujeitos à volatilidade comum nesta classe de ativos, e os preços têm seus movimentos influenciados pela economia global e do país sede. Outro ponto importante é que por ora, o volume negociado de BDRs no Brasil ainda é pequeno, o que faz com que tenham baixa liquidez, todavia, acredita-se que a adesão deste tipo de produto tende a crescer muito, o que fará com que sejam facilmente transacionados.

Considerações

Em um momento econômico instável pelo o qual passamos, diversificar a carteira com os BDRs pode se mostrar uma boa alternativa. Contudo, ao decidir alocar nestes certificados de depósito, o investidor precisa, assim como em qualquer outro ativo, analisar os fundamentos da companhia e atentar-se ao câmbio, uma vez que os BDRs são lastreados em ativos negociados em dólar.


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