Como avaliar debêntures?

Como avaliar debêntures?

As debêntures podem ser uma alternativa mais atrativa quando falamos em renda fixa, mas envolvem riscos que devem ser avaliados, assim como as diferenças que existem dentro dessa classe de ativos, que necessita de avaliação antes do aporte.

Em suma, debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas que visam financiamento de projetos. O investidor recebe a remuneração por meio de uma taxa fixa determinada pela companhia na emissão dos ativos. Em outras palavras, quando um investidor compra uma debênture, está emprestando dinheiro para uma empresa, que por sua vez, tem a vantagem de ter uma alternativa aos empréstimos bancários e a liberdade para determinar como vai pagar seus credores.

Classificações de debêntures

As debêntures são ativos de renda fixa que possuem alguns tipos de categorias. A primeira que vamos tratar é referente aos impostos:

  • Comum: há cobrança dos impostos sobre o rendimento, e o imposto de renda segue a tabela regressiva, logo, quanto mais tempo de investimento, menor a alíquota.
  • Incentivada: são debêntures que têm isenção de imposto de renda. Trata-se de um incentivo governamental para empresas de infraestrutura captarem dinheiro. A priori, as debêntures incentivadas tornam-se mais atrativas aos olhos dos investidores, contudo, esse fator depende muito da taxa do ativo (confira: como calcular corretamente o gross up). 

Há também a classificação de acordo com o método que o credor receberá:

  • Conversíveis: são aquelas que podem ser transformadas em ações após um determinado período. Aqui é fundamental uma análise da companhia para identificar um potencial de crescimento da mesma, já que após o prazo você será sócio dela.
  • Permutáveis: neste caso, o investidor pode transformar seus títulos em ações de outras empresas.
  • Simples: esse tipo não pode ser convertido em ação, o investidor receberá o rendimento acordado previamente.

As debêntures também são classificadas conforme seus rendimentos, são elas:

  • Debênture prefixada: o comprador sabe quanto receberá no vencimento quando comprar, conforme uma taxa de juros definida anteriormente.
  • Debênture pós-fixada: o rendimento está atrelado a alguma taxa variável do mercado, como o IPCA, por exemplo.
  • Híbrida: uma parte fixa e uma parte variável, por exemplo 4,5% + IPCA.

As debêntures têm um prazo de vencimento e a amortização pode acontecer neste mesmo período, mas também é comum ocorrerem em parcelas anuais ou semestrais. Independentemente da categoria, todas as debêntures possuem uma escritura de emissão, documento que contém esses detalhes de pagamentos e outras características dos títulos, como direitos do debenturista, vencimento, juros, deveres da emissora etc.

Outro documento que deve ser analisado é o prospecto da emissão, arquivo que traz dados da saúde financeira da companhia e condições gerais da emissão.

Para facilitar essa análise, o Comdinheiro possui uma ferramenta de histórico de cotação, tela que traz as principais informações sobre as debêntures:

Além disso, é possível ver os principais detentores de determinada debênture por período:

Riscos

Em tempos de juros baixos, as debêntures são uma opção dentro de renda fixa que podem trazer uma melhor rentabilidade do que outros ativos, entretanto, os maiores ganhos também estão atrelados a um maior risco.

As debêntures não são protegidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e possuem risco de crédito, a possibilidade da empresa emissora não honrar com o pagamento.

Outro ponto importante é que os prazos de vencimento das aplicações podem ser bem longos, e se você precisar fazer o resgate antes, terá que vender o título no mercado secundário e estará sujeito ao risco de mercado, o que pode impactar negativamente na sua rentabilidade. Além do risco atrelado a baixa liquidez desses ativos.

Para minimizar estes riscos, o ideal é que o investidor não resgate antes do prazo estabelecido e que observe a escala rating do título, quanto mais próxima de A+, menor o risco de crédito.

Outro ponto fundamental é analisar a empresa emissora, estudar os indicadores, balanço, histórico e momento atual. Isso dará base para identificar o nível de risco atrelado ao negócio.

Garantias

Apesar de não possuir garantia do FGC, as companhias podem oferecer alguns tipos de garantias caso ocorra algum problema com a emissora dos títulos:

  • Real (com garantia): a mais segura. Neste tipo de debênture, os bens da empresa são colocados como garantias e não podem ser negociados sem o consentimento dos investidores.
  • Flutuante (com garantia):  similar a garantia real, contudo os bens não são fixos e podem ser vendidos sem o debenturista saber.
  • Quirografária (sem garantia): ou sem preferência. Estes debenturistas não tem nenhum bem como garantia. O investidor concorre com todos os outros credores da companhia em caso de falência.
  • Subordinada (sem garantia): a de maior risco. Caso haja liquidação da sociedade, os debenturistas serão os últimos a terem devolução do capital.

Explore mais sobre Garantias de Debêntures acessando este link.

Como escolher a debênture?

Debênture é uma alternativa de diversificação da carteira, contudo é um investimento mais arrojado devido ao risco envolvido. Assim, para escolher uma debênture, é indispensável fazer uma análise de todos os dados e categorias dos títulos, avaliar os riscos que comentamos anteriormente em prol de minimizá-los ao máximo e acompanhar a empresa emissora e as mudanças nas taxas do mercado de perto.

O Fixed Income Screener, ferramenta do Comdinheiro full, permite analisar as debêntures do mercado conforme os mais diversos indicadores para que a escolha e acompanhamento dos títulos sejam assertivos, veja o exemplo abaixo:

Contudo, para o investidor que não se sinta confortável ainda para alocar diretamente em debêntures, existem os fundos de debêntures, ativos com menos riscos, uma vez que os títulos são escolhidos por profissionais especializados do mercado. Em live com Rafael Paschoarelli, do Comdinheiro, Marcelo Lara, Managing Partner da Journey Capital, gestora especializada em renda fixa, explicou como é o processo de escolha de títulos das carteiras dos fundos:

“Temos muitos anos de experiência no mercado, quando vemos uma oportunidade fazemos uma análise super detalhada e completa, levamos essa análise para nosso comitê de crédito para discussão, onde batemos em todos os aspectos de risco e depois analisamos quanto este crédito está valendo em comparação com outros créditos (…) vemos a perspectiva de melhora daquele crédito, para comprar barato e vender caro (…) essa gestão dinâmica só é possível graças ao mercado secundário.

Outro motivo que Marcelo Lara comenta que torna os fundos mais atrativos que a compra direta é referente à clareza de quanto o investidor paga e recebe. Nos fundos esses valores são muito claros, já o mercado secundário possui o spread, que não é pequeno e varia muito.


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